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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte O legado da Copa para o Brasil será a devastação deixada pelas bets Milly Lacombe Colunista do UOL 22/06/2026 09h43 Deixe seu comentário Bets, Casa de Apostas, Apostador Imagem: Danilo Verpa/Folhapress Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Talvez tenhamos chegado a um fundo de poço ético quando narradores e comentaristas se sentem muito à vontade para recomendar apostas durante a transmissão. Mais do que dizer "apostem", o que eles fazem é apresentar as probabilidades e sugerir apostas combinadas. Com a voz de um amigo, rindo e incentivando a audiência a pegar o celular e entregar seu dinheiro para uma corporação-cassino. O cenário que envolve casas de apostas e classe trabalhadora já é o pior possível. Pessoas viciadas, famílias colapsadas, gente acreditando que uma aposta dará a ela o dinheiro que falta para pagar o aluguel. Homens apostando a comida das crianças, a pensão alimentícia. No fim dessa corda, mulheres desesperadas porque veem seus maridos, filhos e pais entregando o que têm e o que não têm para uma casa de aposta. Aumento da violência contra mulheres, doenças e mortes. Quando os comentaristas da Cazé TV falam, a galera escuta. Casemiro Miguel, aquele que dá nome ao canal, chamou a turma para seguir o goleiro Vozinha, de Cabo Verde, no Instagram. O atleta foi de 60 mil seguidores para 15 milhões de seguidores em algumas horas. Imaginem se essas vozes estivessem se pronunciando para chamar de babaca todo pai que deixa de pagar pensão alimentícia. Imaginem se estivessem mobilizados pelo fim da violência contra a mulher praticada por homens. Infelizmente, não é essa exatamente a agenda deles. Além de reproduzirem o machismo que vemos há déacadas na concorrência, eles estão articulados para promover apostas entre brasileiros jovens. PVC Yamal precisa construir carreira como Messi Pedro Rossi A lógica da meritocracia e o salário de Neymar Josias de Souza Lula fica sitiado por vizinhos de direita Alicia Klein Invicto, Cabo Verde confirma recado à Uefa Vamos ficar assistindo sem fazer nada? Não podemos naturalizar a barbárie, não podemos fingir que não estamos ouvindo o canal que tem direito a transmitir todos os jogos - a Cazé TV - chamar as pessoas para descerem rumo ao inferno. Quando a Copa passar, o cenário será de devastação para boa parte da população, mas alguns estarão felizes porque sairão da competição muito mais ricos. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Milly Lacombe por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Brasil de Lula ficou sitiado por vizinhos chefiados pela direita 'Showman' milionário e pró-Trump: quem é o novo presidente da Colômbia Sabrina Sato e Nicolas Prattes anunciam gravidez: 'O amor floresceu' Palmeiras rescinde contrato de zagueiro devolvido por clube português São Paulo planeja reintegrar Arboleda e Maik após demissão de Rui Costa