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Entenda a situação do Irã na Copa do Mundo Los Angeles abriga a maior comunidade de iranianos e descendentes nos EUA, estimada em centenas de milhares de pessoas. Mas é improvável que a seleção do Irã, que estreia na Copa do Mundo nesta segunda-feira, no estádio da cidade, contra a Nova Zelândia, se sinta acolhida na Califórnia. Numa caminhada pela área conhecida como “Quarteirão Persa”, no Oeste de Los Angeles, é fácil entender o motivo: nas vitrines dos restaurantes, mercados e lojas, a bandeira que se vê é a do leão e do sol, abandonada em 1979 depois da Revolução Islâmica e a ascensão dos aiatolás. A comunidade local é formada principalmente por pessoas que fugiram nos anos seguintes ao da transformação do país em uma teocracia sob o comando do aiatolá Khomeini. – Não são jogadores da nação, são do regime – afirma o dono de uma livraria persa, que pediu para não ser gravado. – Suas mãos estão sujas de sangue. Iranianos irão ao estádio, mas não para apoiar. Vão para vaiar – completa ele, que há 40 anos vive nos EUA. 1 de 2
Livraria iraniana em Los Angeles com a bandeira símbolo dos oposicionistas — Foto: Leonardo Lourenço Livraria iraniana em Los Angeles com a bandeira símbolo dos oposicionistas — Foto: Leonardo Lourenço O “Quarteirão Persa” se estende por três blocos na região. Há restaurantes de comidas típicas, mercadinhos com produtos iranianos, uma sorveteria persa e uma grande loja de tapetes. – Os nazistas cometiam todos os crimes, mas não matavam alemães. Este regime mata iranianos. Tenho o sonho de ver o fim do regime, e acredito que vai ser logo – diz um homem de 75 anos que conta ter sido preso em seu país natal e que, antes de chegar a Los Angeles, viveu na França, o que seu sotaque confirma. 2 de 2
Mercado na região de Los Angeles conhecida como "Quarteirão Persa" — Foto: Leonardo Lourenço Mercado na região de Los Angeles conhecida como "Quarteirão Persa" — Foto: Leonardo Lourenço A loja dele, uma mercearia, tem uma a bandeira iraniana com o leão e o sol, símbolo dos opositores que vivem no exílio, que se estende do chão ao teto do estabelecimento. No estádio de Los Angeles, porém, ela não poderá entrar: a Fifa proibiu a peça, já que a entidade não permite manifestações políticas em seus campeonatos. Nesta semana, autoridades iranianas afirmaram terem comunicado a Fifa de que a seleção abandonará a Copa do Mundo se a equipe for alvo de protestos políticos durante as partidas. Chegada aos EUA, enfim Os últimos meses foram de dúvidas e declarações que quase impediram a presença da seleção do Irã nesta Copa – será a primeira vez que o país anfitrião do torneio receberá a equipe de uma nação com quem está em guerra. A promessa americana de dificultar a emissão de vistos para iranianos foi cumprida, e parte da delegação não teve suas entradas aprovadas no país, o que obrigou a federação iraniana e a Fifa a trocarem o centro de treinamento do time – antes, em Tucson, no Arizona, para a cidade mexicana de Tijuana, na fronteira com a Califórnia. Seleção do Irã chega ao México para disputa da Copa do Mundo Os iranianos são esperados nos EUA pela primeira vez neste domingo, quando estão programadas atividades no estádio de Los Angeles. A delegação viajará de ônibus, uma rota de cerca de três horas e meia, mas que neste caso tem duração imprevista por causa da necessidade de os atletas passarem pelo controle de imigração. O Irã, que está no Grupo G, fará seus dois primeiros jogos em Los Angeles – contra Nova Zelândia, na segunda-feira, e contra a Bélgica, no dia 21. A última partida da fase de grupos será em Seattle, onde enfrenta o Egito.