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Opinião Esporte Futebol Copa do Mundo Scaloni rompeu com o passado e fez a Argentina à imagem de seu elenco Sebastián Fest Colaboração para o UOL, na Argentina 21/06/2026 16h03 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Há alguns anos, Lionel Scaloni se reuniu com seus jogadores para mostrar-lhes uma série de vídeos. Ele queria que eles vissem como a Argentina jogava, como eles próprios estavam jogando. Porque, por trás do brilho de Lionel Messi, de seu hat-trick contra a Argélia e de suas emoções, há outra história igualmente impactante que pode ser resumida na pergunta: como a seleção argentina joga? E a resposta é fascinante: ela joga o futebol que funciona melhor para seus jogadores, porque Scaloni soube se adaptar e decidiu não se deixar prender pelo passado. Nem por certas tendências do presente. Scaloni fez parte da comissão técnica do turbulento Jorge Sampaoli, naquela Copa do Mundo da Rússia de 2018, da qual a Argentina se despediu perdendo nas oitavas de final em um jogo alucinante por 4 a 3 contra a França. Sampaoli estava apaixonado por si mesmo e pela ideia de ser técnico da seleção e falhou em dois aspectos fundamentais: na obsessão por impor uma tática e um estilo que deixassem inquestionável que a equipe levava sua marca e, em consequência disso, no relacionamento com os jogadores. Alicia Klein Yamal era o que faltava para a Espanha Casagrande Precisamos falar sobre Holanda e Japão na Copa Mauro Cezar Copa tem 4,5 min a mais de jogo do que o Brasileiro Alexandre Borges Caso Credcesta/Master se inspirou no Mensalão Jorge Sampaoli, técnico da Argentina, observa a partida entre França e Argentina, válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo FIFA Rússia 2018 Imagem: Foto de Lars Baron - FIFA Sampaoli queria ser reconhecível como Josep Guardiola, reconhecível como Marcelo Bielsa, mas, anos depois, Scaloni demonstrou que o que mais define uma equipe são os jogadores, e que o técnico deve ter flexibilidade e inteligência para se adaptar a eles. Na estreia da Argentina, ficou claro que se trata de uma equipe repleta de meio-campistas que chegou ao gol essencialmente pelo meio, dispensando os pontas. O seu estilo é o jogo interno, com meio-campistas multifuncionais que trocam a bola entre si até chegar ao gol. Isso não é por acaso. Anos atrás, em uma conversa com Jorge Valdano, Scaloni explicou sua evolução a partir do que observou durante sua passagem pela seleção ao lado de Sampaoli e, posteriormente, já como técnico principal da equipe. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês "Trouxe da Rússia uma ideia de que o futebol estava voltado para as transições, para escalar jogadores velozes. Eu queria montar uma equipe assim. Mas depois percebi que o jogador argentino típico não era assim, que os melhores argentinos não são assim. Percebi que os melhores argentinos jogavam de outra maneira. Em nossas duas primeiras partidas [após a Copa do Mundo da Rússia de 2018], a equipe era bem mais vertical. Exigíamos outra coisa deles." E então Scalioni teve uma conversa com seu assistente, Pablo Aimar, e com Walter Samuel e Roberto Ayala, o núcleo central da comissão técnica da seleção. Continua após a publicidade "Dissemos entre nós que Lo Celso joga bem, que Palacios joga bem, que Paredes joga bem, que De Paul joga bem, que Messi joga bem!". O que significa "jogar bem"? "Jogar bem significa que eles se unam, que criem jogadas em conjunto. E se pedirmos velocidade ou passes de 30 ou 40 metros, acho que não vai dar certo. Sempre dizemos aos jogadores que, quando encadeávamos dez passes, era uma situação de gol. Sempre! Sempre pensando no adversário, em como atacá-lo. Eu mudei, e não me incomoda admitir isso". Scaloni também se inspirou em algo que ouviu de Carlo Ancelotti, o atual técnico da seleção brasileira. "Vi uma entrevista com Ancelotti em que ele disse que os jogadores falavam como se sentiam mais à vontade. E Ancelotti disse que, se os jogadores falam isso e ele vê que é assim, por que não mudaria?". Na Argentina das antinomias, ou se era do César Luis Menotti ou do Carlos Salvador Bilardo. O futebol era ideologia e filosofia; não dava para ficar no meio-termo, pegando o melhor de um e de outro. Continua após a publicidade Scaloni veio para romper com isso. Para ele, a flexibilidade é uma virtude. E isso, em uma Copa do Mundo que exige, pela primeira vez, jogar oito partidas para ser campeão, é fundamental, porque jogar sempre da mesma maneira pode não ser a melhor das ideias. É possível que Scaloni tenha mais surpresas reservadas. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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