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Futebol Por que as torcidas organizadas estão pedindo intervenção no Corinthians? Fábio Lázaro e Carla Canteras Severino Do UOL, em São Paulo 19/08/2026 15h02 Deixe seu comentário Principais torcidas organizadas do Corinthians passaram a pedir uma intervenção judicial no clube Imagem: Fábio Lázaro/UOL Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× As principais torcidas organizadas do Corinthians realizaram nesta quarta-feira (19) uma manifestação em frente à sede do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), no centro da capital paulista, para defender uma intervenção judicial no clube. O que aconteceu O ato reuniu centenas de torcedores e terminou com uma reunião entre representantes das torcidas e os promotores Luiz Ambra e André Pascoal , responsáveis pela investigação que analisa a possibilidade de intervenção no Corinthians. Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra participaram do protesto. Segundo fontes ligadas às organizadas, entre 300 e 500 pessoas estiveram presentes. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Faixas com mensagens como "MP, salve o Corinthians" foram exibidas durante a manifestação. As torcidas também anunciaram novos protestos para os próximos dias, incluindo atos na Neo Química Arena, durante a partida contra o Rosario Central, e no Parque São Jorge, no sábado (22). Após receber representantes das organizadas, Ambra afirmou que a investigação segue critérios técnicos e que o apoio popular não interfere diretamente na decisão sobre os próximos passos. Segundo o promotor, a apuração continuará independentemente da mobilização dos torcedores. Nossa atuação iniciou antes disso. Temos uma análise estritamente técnica. Temos que atuar da maneira correta, com ou sem apoio. Mas, lógico, tendo a confiança de um número gigantesco de torcedores, isso acaba sendo interessante e confortável. Porém, nossa atuação independe de apoio da torcida. Luiz Ambra, em coletiva após a manifestaçã Por que o MP abriu a investigação Luiz Ambra, promotor do MP-SP, em entrevista ao UOL Imagem: Fábio Lázaro/UOL Em entrevista exclusiva ao UOL antes da manifestação, Ambra explicou pela primeira vez por que o Ministério Público decidiu investigar a possibilidade de uma intervenção no Corinthians. A apuração começou após uma representação enviada pelo promotor criminal Cássio Conserino, que conduz outras investigações relacionadas ao clube. Continua após a publicidade Recebemos uma representação relatando inúmeras irregularidades que justificaram a proposição de algumas ações penais. Ele sugeria que esse cenário poderia justificar uma intervenção judicial. Ambra, ao UOL O Ministério Público entendeu que havia motivos para acompanhar o caso porque considera o Corinthians um patrimônio cultural e avalia que uma eventual crise no clube pode afetar milhões de torcedores. O órgão também levou em conta a relação financeira dos torcedores com a instituição. São pessoas que colocam dinheiro no clube, pagam ingresso, compram produtos licenciados e participaram da vaquinha da Fiel. Entendemos que cabia a intervenção do Ministério Público para tutelar o patrimônio cultural e também essa coletividade de torcedores. Luiz Ambra Segundo Ambra, três pontos foram considerados para iniciar a investigação: o tamanho da dívida do Corinthians, as disputas políticas internas e informações sobre possíveis irregularidades cometidas por dirigentes. Esses fatores, de acordo com o promotor, formaram o cenário que levou o MP a abrir o procedimento. O cenário que tínhamos era a notícia de uma dívida gigantesca que poderia inviabilizar a própria existência do clube. Além disso, o ambiente político dificultava que fossem tomadas medidas necessárias para superar esse momento. E havia notícias de ilícitos penais cometidos em tese por ex-dirigentes e que, em tese, lesavam o clube. O que uma intervenção pode significar A investigação ainda está no começo, e o Ministério Público não decidiu se vai pedir à Justiça uma intervenção no Corinthians. Ambra afirmou que, neste momento, não é possível estimar nem mesmo a possibilidade de a medida ser proposta. Continua após a publicidade Existe razão para a investigação. Existem circunstâncias que justificam a apuração. Porém, nós não podemos apontar percentual de chance de ser proposta uma ação e também de ser alcançado seu objetivo. Luiz Ambra Se o MP encontrar elementos suficientes, poderá pedir à Justiça que determine uma intervenção. Isso não significaria necessariamente a saída imediata da atual diretoria nem uma mudança no modelo de funcionamento do clube. A intervenção, segundo Ambra, consistiria na escolha de uma pessoa para assumir determinadas tarefas no Corinthians durante um período limitado. O objetivo seria resolver os problemas definidos pela Justiça e, depois disso, devolver o comando do clube ao funcionamento normal. Seria a nomeação de um interventor para tomar algumas medidas relativas ao clube por prazo determinado, com um objeto previamente definido. Tomadas essas medidas e buscando regularizar situações necessárias, o clube depois retoma seu curso normal. Durante a entrevista coletiva após a manifestação, Ambra e Pascoal também explicaram que uma eventual intervenção não teria como objetivo punir dirigentes ou o próprio Corinthians. A ideia seria proteger os interesses do clube e ajudar a corrigir situações consideradas necessárias. A intervenção judicial não é uma sanção. É um procedimento que busca tutelar os interesses do clube e resguardar os interesses do clube. André Pascoal Continua após a publicidade Protesto mostra repercussão da crise Principais torcidas organizadas do Corinthians passaram a pedir uma intervenção judicial no clube Imagem: Fábio Lázaro/UOL Os promotores disseram que a manifestação não muda a maneira como o Ministério Público analisa o caso. Ao mesmo tempo, Ambra afirmou que o tamanho do protesto ajuda a mostrar o impacto da crise do Corinthians entre os torcedores e na sociedade. É um termômetro muito interessante para verificar o impacto que isso causa na sociedade e na torcida corintiana. Sem dúvida, isso é importante para demonstrar que o Ministério Público tem sua razão para atuar. Luiz Ambra André Pascoal também afirmou que o protesto não interfere na análise da investigação. Segundo ele, porém, o Ministério Público está aberto a receber informações e reclamações de torcedores. O efeito prático para a investigação não muda a forma como estamos apreciando os fatos. Mas a transparência é importante. Estamos abertos a todos os cidadãos que venham trazer suas demandas. André Pascoal Continua após a publicidade A conversa entre os promotores e as lideranças das torcidas também não serviu para recolher provas. O encontro teve como objetivo explicar aos representantes das organizadas como funcionaria uma eventual intervenção. Foi uma conversa justamente para explicar como funciona a intervenção. Não houve nada relacionado à produção de provas. Luiz Ambra, na entrevista coletiva Investigação ainda está no começo O Ministério Público informou que a investigação ainda está em uma etapa inicial. Segundo Pascoal, o trabalho ficou parado por alguns meses enquanto o Conselho Superior do MP analisava um recurso apresentado pelo Corinthians contra a abertura do caso. O recurso foi rejeitado em maio. A partir daí, os promotores passaram a analisar os documentos reunidos e a buscar novas informações para entender o cenário do clube. Efetivamente, estamos no início da investigação ainda. Estamos colhendo bastante prova e trabalhando para instruir o mais rápido possível esse inquérito. André Pascoal Continua após a publicidade O MP também informou que o Corinthians tem colaborado com os pedidos feitos até agora. O presidente Osmar Stábile e o diretor jurídico do clube já prestaram depoimento durante a investigação. Até o presente momento, tem prestado as informações que solicitamos. Houve uma oitiva do presidente, juntamente com o diretor jurídico e advogado. O Corinthians se prontificou a prestar todas as informações que nós solicitarmos. Luiz Ambra Torcidas esperam avanço do caso Após a reunião, representantes das organizadas deixaram a sede do Ministério Público confiantes de que a investigação continuará. O advogado da Gaviões da Fiel, Edson Oliveira, afirmou que a expectativa é positiva, embora não exista prazo para uma eventual decisão. Eles deixaram claro que as investigações vão continuar e serão encaminhadas a um juiz. Esse juiz vai decidir se nomeia ou não um interventor. Não dá para dizer se será em um mês ou seis meses, mas estamos bastante confiantes. Edson Oliveira Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção acontecer antes das eleições presidenciais do Corinthians, marcadas para novembro, Oliveira disse que isso é possível, mas considerou o cenário menos provável. Continua após a publicidade Pode sim. Se a investigação for finalizada até lá e houver fundamento para a intervenção. Mas essa chance não é a maior de todas. O presidente da Gaviões da Fiel, Alexandre Domênico, o Alê, afirmou que as manifestações continuarão independentemente do resultado da investigação. Para ele, o Ministério Público pode ajudar a fiscalizar questões que, segundo a torcida, não são acessíveis dentro do clube. O Ministério Público simboliza esperança para o torcedor corintiano. Em algumas situações a gente não consegue chegar no Parque São Jorge no âmbito da fiscalização. Tem certas gavetas lá que a gente não consegue entrar. Quem vai nos ajudar é o Ministério Público. Alê, presidente da Gaviões Alê também convocou a torcida para novos protestos e defendeu a continuidade da mobilização nos próximos meses. Ele ressaltou, porém, que uma eventual intervenção dependerá do resultado da investigação. Isso aqui vai crescer cada vez mais. Mas a Justiça não trabalha em cima de pressão. O que eles disseram é que vão trabalhar em cima das denúncias e das provas. As organizadas marcaram um novo ato para sábado (22), no Parque São Jorge, e prometem protestos também durante a partida desta quinta-feira (20), contra o Rosario Central, pelas oitavas de final da Copa Libertadores. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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