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Só para assinantes Assine UOL Opinião Esporte Na Copa da propaganda e barulheira insuportável, só o futebol dá descanso Julio Gomes Colunista do UOL 23/06/2026 16h05 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Torcida do Uzbequistão no jogo contra Portugal na Copa do Mundo 2026 Imagem: Julio Gomes/UOL 5, 4, 3, 2, 1..... Ufa. Quando acaba a regressiva, geralmente gritada por alguém no microfone, a bola rola na Copa do Mundo. E finalmente se tem paz. Os jogos de futebol nos Estados Unidos têm sido uma experiência terrível para quem trabalha neles (OK, minoria absoluta) e para quem vem ao estádio "somente" para ver um jogo de futebol. E aqui já não sei dizer se é minoria ou maioria. Em Dallas, no jogo da Argentina, houve vaias tímidas - mas houve - nas duas pausas para hidratação. Em Houston, no jogo de Portugal nesta terça, as vaias não foram nada tímidas. Mas elas foram ouvidas por um milisegundo, porque, claro, ato seguido, entrou a barulheira. Algo me diz que os torcedores de futebol, que já desembolsaram uma grana absurda para entrar nos estádios, não estão muito felizes com algumas das dinâmicas impostas pela Copa do Mundo mais comercial da história. Wálter Maierovitch Gilmar atacou pares e descumpriu dever legal Daniela Lima Bolsonaro preso ter acesso a arma não faz sentido Josias de Souza Entusiasmo juvenil x apatia senil no Supremo Casagrande Muito prazer, Copa! Me chamo Cristiano Ronaldo Porque é isso o que ela é. Um show de propagandas e anúncios o tempo todo. Durante meia hora antes do jogo (ou mais, sei lá), durante os 3 minutos das pausas de cada tempo, durante os 15 minutos de intervalo e durante um bom tempo após o apito final. É uma incrível poluição sonora, com caixas de som no talo, músicas altíssimas e gritaria dos "speakers", que fazem os anúncios. Tem toda aquela baboseira que vemos em jogos da NFL ou da NBA, esportes que propositadamente param toda hora. É "dance cam" pra cá e para lá, propaganda de algum patrocinador, depois gritaria de "make some noise" ou coisa do tipo, mais propaganda, mais gritaria, mais música. Não para. O protocolo de início dos jogos já virou também uma poluição visual incrível, com 500 pessoas em campo, bandeiras enormes, todos os jogadores. Perde-se o foco. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês No jogo de Dallas, em algumas das pausas apareciam no telão as cheerleaders dos Dallas Cowboys se apresentando em uma espécie de sala, nem deu para entender se era ao vivo ou gravado, se era em algum lugar do estádio ou não. Século 21 e ainda estamos nessa de oito mulheres com shortinho enfiado dançando para marmanjo ficar babando. Também neste jogo, em algum momento o telão mostrou Manu Ginóbili, ex-jogador de basquete, e a torcida argentina aplaudiu e gritou o nome dele. Aí depois aparece Tony Romo, um ex-quarterback meia boca dos Cowboys e hoje comentarista de TV. Ninguém sabia quem era, nem aplauso teve. Na boa, quem é Tony Romo na fila do pão para ficar lá num telão no meio de um jogo de Copa do Mundo? Os telões gigantescos dos estádios fechados e a própria acústica destas arenas amplificam a desgraça. Continua após a publicidade Em Houston, tem um palco montado em uma das esquinas dos estádios. Já presenciei participações dos Mariachis de Houston e um grupo de percussões. São incríveis, maravilhosos. Mas no talo, durante uma pausa de hidratação, no meio do jogo? Na boa... Podem me chamar de mal humorado. Deve ter gente que gosta e gente que não gosta. Mas, no meu ponto de vista, o futebol deveria ser o protagonista de um evento como este. Que deveria ser vivido por pessoas que o vivem semanalmente, aliás. Alguém dirá que 16 anos atrás as vuvuzelas também eram uma manifestação local e barulhenta. É verdade, elas incomodavam. Mas pelo menos era algo orgânico, da cultura das pessoas da África do Sul. E não algo imposto pelo evento, para meia dúzia de magnatas encherem os bolsos de dinheiro. Este é um evento feito para os quem chamam e entendem o futebol como entretenimento, não como esporte. Para mim, o que mais importa sempre foi a bola rolando, o resto é perfumaria. Agora, mais do que nunca. Só se tem tranquilidade por 90 minutos. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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