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Veja como a Copa do Mundo tornou pai e filho inseparáveis em Juiz de Fora O álbum de figurinhas da Copa do Mundo é uma paixão que muitas vezes passa de pai para filho. E a conta geralmente fica para os pais. No entanto, o habito de economizar e o planejamento proporcionaram que um menino de 13 anos bancasse a própria coleção sozinho , mesmo em meio a uma situação difícil, de emergência. Um adolescente de Juiz de Fora teve o apartamento interditado por causa das fortes chuvas que castigaram a cidade em fevereiro de 2026, precisou deixar o local junto com a família, passou a morar de aluguel com a mãe e o pai, mas mesmo assim assumiu a responsabilidade de fazer o álbum com o dinheiro que tinha guardado. Ele completou a coleção no último sábado, dia 6 de junho. + Seja o primeiro a saber as notícias do esporte! Clique aqui e siga o ge 1 de 4
Arthur perdeu apatamento interditado por conta das chuvas, mas tinha dinheiro guardado e faz o álbum da Copa sozinho — Foto: Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal Arthur perdeu apatamento interditado por conta das chuvas, mas tinha dinheiro guardado e faz o álbum da Copa sozinho — Foto: Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal O estudante Arthur Soares de Mendonça Cabral começou a guardar dinheiro em 2025, de olho no álbum da Copa do Mundo de 2026. No entanto, ele sabia que não sairia barato, Luiz Paulo Koop , pai de Arthur, disse ao filho na época que o custo para completar a coleção seria maior, já que a Copa do Mundo saltou de 32 para 48 seleções. — Quando veio o meio do ano passado, a gente começou a falar sobre o álbum. Ao invés de pedir presente em aniversário, Natal e em outras datas ele começou a pedir um dinheirinho. Às vezes eu dava um dinheiro para o lanche na escola. Quando ele não lanchava, ele ficava com o dinheiro para ele. Então, ele começou a juntar — disse Luiz Paulo. O planejamento foi feito, mas o que Luiz Paulo e Arthur não sabiam era que aquele dinheiro guardado seria ainda mais importante. O apartamento onde o pai, o filho e a mãe Cláudia moravam no Bairro Paineiras foi interditado e teve a estrutura condenada pela Defesa Civil após as fortes chuvas e deslizamentos de terra em Juiz de Fora, em fevereiro de 2026. Com isso, a família precisou sair de casa e, depois que a interdição acabou, resolveu alugar outro imóvel por precaução e medo de eventuais problemas estruturais na residência afetada pela tragédia climática. Veja como a Copa do Mundo tornou pai e filho inseparáveis Com o aumento dos custos em razão da mudança, do pagamento do aluguel e de outros prejuízos, Luiz Paulo Knop avisou o filho que não conseguiria arcar com a coleção em 2026; No entanto, Arthur tinha feito o dever de casa e respondeu ao pai. — Todo mês meu pai me dava entre R$ 40 e R$ 50 e eu guardava na minha conta que rende um pouco de dinheiro. Quando aconteceu essa situação em Juiz de Fora nosso prédio foi interditado e minha mãe já falou: "Não vou voltar mais, estou com medo". Meus pais estavam à procura de um apartamento e graças a Deus achamos um. Com isso toda a grana que tínhamos foi pra investir no apartamento — contou. "Meu pai virou para mim e falou: “Olha, filho, você está vendo a situação que estamos passando, esse ano eu não consigo pagar para fazer o álbum". Aí eu falei que com o dinheiro que tinha guardado eu pagaria tudo". Ao todo Arthur guardou cerca de R$ 1 mil, que foram gradualmente investidos na compra das figurinhas. O álbum foi comprado pelo pai, que também adquiriu os primeiros pacotinhos, que vieram junto na compra. Arthur completou o álbum no sábado passado, dia 6 de junho, em uma troca de figurinhas no Parque Halfeld, zona central de Juiz de Fora. Educação financeira e maturidade Luiz Paulo afirma que o comportamento de Arthur surpreendeu ele positivamente por duas razões. A primeiras delas foi por conta da maneira como o filho lidava com dinheiro. De acordo com o pai, o menino tinha um perfil mais gastador, que mudou radicalmente de tempos para cá. — Ele sempre foi até um pouco consumista. Eu sempre tentei orientar muito ele nesse sentido, explicar a importância da gente ter sempre o dinheiro guardado, uma reserva. E aí, no ano passado, ele teve aula de educação financeira no colégio. Isso ajudou muito, já que ele ia fazendo as aulas e tinha os exercícios em casa para fazer. Eram aulas que eram fora do turno escolar, on-line. E eu participava com ele, quando possível e enquanto participava, a gente ia conversando a respeito do assunto. A partir dali, ele começou a entender a importância de ter essa reserva, de se planejar — destacou. 2 de 4
Pai se disse surpreso com postura madura e planejamento financeiro feito pelo filho — Foto: Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal Pai se disse surpreso com postura madura e planejamento financeiro feito pelo filho — Foto: Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal A outra surpresa com relação ao filho foi em relação ao comportamento dele em meio às dificuldades imposta pelas chuvas e a perda do apartamento onde morava com os pais. De acordo com Luiz Paulo, Arthur ofereceu o dinheiro guardado para comprar as figurinhas para ajudar com os prejuízos da família. “Eu fiquei um pouco surpreso com a atitude dele de assumir este gasto porque ele conseguiu compreender a situação que estávamos vivendo. Foi a pessoa que mais nos deu força. Foram atitudes de um cara maduro, de entender que a situação é complexa, de recomeçar a vida e replanejar tudo”. — E antes mesmo de ele resolver fazer o álbum, ele ofereceu o dinheiro guardado para a nossa urgência. Eu disse que não precisava, que nós iriamos nos virar e disse a ele que não poderíamos abrir mão do lazer dele, ainda mais nos momentos de dificuldade. Foi surpreendente e gratificante. É a hora que a gente vê que estamos fazendo bem um bom trabalho como pais — concluiu. 3 de 4
Mesmo em meio às adversidades causadas pelas chuvas, pai e filho curtem os momentos juntos na coleção — Foto: Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal Mesmo em meio às adversidades causadas pelas chuvas, pai e filho curtem os momentos juntos na coleção — Foto: Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal Passados os momentos de planejamento e adversidade, o caminho foi o de de se divertir. Arthur e Luiz Paulo aproveitaram o lazer que o álbum proporciona, seja na abertura dos pacotinhos, na colagem das figurinhas ou na troca dos cromos. Só que atualmente Luiz aceitou o papel de coadjuvante, já que o filho assumiu o protagonismo da própria coleção. — Ele compra as figurinhas, eu ajudo a controlar as repetidas e a colar. E hoje, praticamente todas as trocas são feitas por ele, no colégio, no clube, na escolinha de futsal, no Parque Halfeld... ele tomou a frente e eu virei mero espectador, curtindo o momento. 4 de 4
Arthur durante as trocas de cromos em Juiz de Fora — Foto: Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal Arthur durante as trocas de cromos em Juiz de Fora — Foto: Luiz Paulo Knop/Arquivo pessoal "Aliás, o álbum da Copa para mim é investimento, não é custo. É um momento que daqui a 20 anos nós vamos lembrar. É algo que eu sinto falta quando lembro do meu pai, de não ter mais ele aqui comigo e espero que no futuro o Arthur também se lembre desses momentos que passamos juntos colando, trocando e vendo o álbum". Este é o terceiro álbum que Arthur coleciona em Copas do Mundo a partir de 2018 e afirma que este tem sido especial pro alguns motivos. — Fazer o álbum esse ano foi memorável, muito por causa de ser a última Copa de lendas para o futebol como Cristiano Ronaldo, Messi, Modric e Neymar, além de ser o começo de outros craques como Haaland, Estevão, Arda Guller, Yildiz e Wirtz. Trocar figurinhas acho que é a melhor parte de fazer um álbum, interação social. Comecei a falar com um menino da minha sala porque troquei figurinha com ele, isso ajuda a desenvolver a amizade hoje — finalizou o garoto, que conseguiu a figurinha que faltava no último sábado e completou a coleção.