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Esporte Futebol Copa do Mundo Que lições a campeã Espanha deixa para a seleção brasileira Igor Siqueira Do UOL, no Rio de Janeiro 20/07/2026 05h30 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O Brasil não vai virar Espanha em quatro anos. Mas a seleção campeã do mundo deixa algumas lições para uma reorganização de ideias a ponto de impactar em médio e longo prazo a seleção brasileira. É verdade que sempre é uma tentação tentar abraçar por completo o projeto de quem venceu. Aconteceu em 2014, depois do 7 a 1, com o futebol alemão. Mas mesmo com as diferenças geográficas, históricas e de estrutura em relação aos dois países, há conceitos postos em prática pela nova bicampeã do mundo que podem servir de inspiração por aqui. Identidade de jogo Qual o estilo de jogo da seleção brasileira? Difícil responder. No geral, porque o Brasil deixou de ter um DNA claro na formação. No olhar mais restrito, dentro da própria seleção, o técnico italiano Carlo Ancelotti não chegou nem com um time titular definido para a disputa da Copa. Juca Kfouri A Espanha é bi em tarde lamentável da Argentina Yara Fantoni É inadmissível Rodri ser eleito melhor da Copa Arnaldo Ribeiro Paredes é um jogador medíocre, desleal Milly Lacombe As lágrimas de Messi e de Scaloni Mas se o objeto da questão passar a ser a seleção espanhola, talvez até as crianças de cinco anos que estão entrando em La Masia, base do Barcelona, já saibam responder. É uma questão educada e desenvolvida desde a base, que passa pela prática no campo e o conhecimento teórico da formação de treinadores. Trata-se de um projeto de DNA mais barcelonista que, desde 2008, passou a ser aplicando no âmbito da seleção. A apresentação nas fases mais agudas da Copa, contra França e Argentina, foram a coroação disso. Organização, qualidade técnica, valorização da posse, um sistema de jogo bem definido. Tudo isso faz parte da identidade da Espanha, mesmo que haja alguma variação menos abrupta, em decorrência da característica individual de algum jogador. Essa identidade o Brasil, hoje, não tem. Esse jeito de jogar é tão marcante que extrapola o futebol masculino e toma conta também do feminino. A Espanha chegará à Copa do Mundo feminina do ano que vem, no Brasil, como atual campeã. Lamine Yamal, da Espanha, com Lionel Messi, da Argentina, após final da Copa do Mundo Imagem: Florencia Tan Jun/Getty Images Continua após a publicidade Nem sempre deu certo para os espanhóis, é verdade. Depois de ser bicampeã da Euro em 2012, a Espanha se tornou refém de uma monotonia trazida pelo tiki-taka, pelo envelhecimento de uma geração antes vitoriosa. Mas eles conseguiram se repaginar pelo surgimento de figuras como Lamine Yamal, Dani Olmo e Rodri. Não é que a Espanha tenha passado a jogar em transição, mas absorveu traços mais verticais de jogo e drible. Já tinha sido assim na Euro, quando Yamal e Nico Williams foram as flechas do time pelas pontas. Foi agora, de novo, na Copa de 2026 —depois de um susto que foi empatar por 0 a 0 com Cabo Verde de Vozinha. Quem controla está no meio O Brasil não tem formado mais meio-campistas dominantes no futebol. Primeiro volante, segundo homem ou camisa 10. Por aqui, está em falta. Essa linha de produção funciona muito bem para a Espanha —e para a própria Argentina. No caso da nova campeã do mundo, a geração atual não é tão brilhante quando Busquets-Xavi-Iniesta. Mas o perfil da formação e o jeito de trabalhar a bola concedem aos espanhóis uma das principais grifes de meio-campistas no futebol atual. Continua após a publicidade Rodri recebe o troféu de Bola de Ouro da Copa do Mundo Imagem: FRANCK FIFE / AFP Na Copa, Ancelotti até viu que a seleção ficou mais equilibrada quando recorreu a uma formação com três meio-campistas. Mas os nomes disponíveis não estão na primeira prateleira. Solidez defensiva Uma das frases comuns no futebol é que defesa ganha campeonatos. A Espanha conquistou o bi levando isso ao pé da letra. Sofreu só um gol ao longo de oito partidas. E isso não necessariamente significou retranca. Longe disso. Surra de posse de bola buscando espaços no ataque. Na final, 60% para a Espanha. A Argentina ficou com 32% (menos que o Brasil na eliminação contra da Noruega), com o atenuante de que Enzo Fernandez foi expulso na reta final do segundo tempo. Cubarsí recebe troféu de melhor jogador jovem da Copa do Mundo Imagem: Alex Pantling - FIFA/FIFA via Getty Images Continua após a publicidade O Brasil tem zagueiros de destaque no futebol europeu. Marquinhos acabou de ganhar a Champions League sendo capitão do PSG. Gabriel Magalhães é titular do Arsenal que faturou a Premier League. Mas nem o italianíssimo Ancelotti conseguiu fazer a seleção brasileira completamente segura na hora de defender. Obviamente, isso é um contexto coletivo, que envolve o time como um todo. Na Espanha, a melhor defesa é ficar com a bola. O técnico de sucesso pode estar mais perto que você imagina A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) se antecipou ao resultado da Copa de 2026 e renovou contrato com Ancelotti até 2030. Então, na cabeça dos dirigentes brasileiro, não é hora de olhar ao redor e procurar comandantes à disposição. Mas se teve uma coisa que a Espanha e até a Argentina mostraram é que o técnico "perfeito" pode estar mais perto e onde menos se imagina. Luís De La Fuente é um treinador que vem trabalhando o já mencionado DNA espanhol desde as categorias de base. Ele passa longe de ser um medalhão, mas foi o profissional certo para fazer crescer uma geração de jogadores que formou um conjunto vencedor. Para quem não se lembra, De La Fuente perdeu com a Espanha a final olímpica de Tóquio, em 2021. Ele já vinha trabalhando desde 2012 nas categorias de base da seleção. Em vez da humilhação em praça pública por causa da perda do ouro, assumiu a seleção principal. Virou campeão do mundo. Continua após a publicidade Luis de la Fuente, técnico da Espanha, com a taça da Copa do Mundo Imagem: FRANCK FIFE / AFP No Brasil, essa trajetória parece impensável. Até pela dificuldade visível de formação de treinadores. O mercado nacional foi invadido por portugueses e argentinos. A concorrência aumentou. E a paciência só diminui —independentemente de nacionalidade. André Jardine foi o campeão olímpico que venceu De La Fuente em Tóquio. Mas não ganhou a oportunidade de subir de degrau na CBF, mesmo no período pós-Tite, quando a CBF andou em círculos esperando Ancelotti e recorreu a Ramon Menezes, Fernando Diniz (dividindo atenção com o Fluminense) e Dorival Júnior. Ancelotti chegou com forte apoio dentro e fora da CBF. A entidade considera que um ano de trabalho é pouco para fazer uma análise mais densa sobre a trajetória dele na seleção. Por isso, já lhe deu mais quatro anos de crédito ao italiano, com um salário de pouco mais de R$ 5 milhões mensais. Se o Brasil for bem e a CBF cumprir o contrato com Ancelotti, a próxima busca por técnico será em agosto de 2030. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora De vaiados a penetras: o fim melancólico de Trump e Infantino na Copa As lágrimas de Messi e de Scaloni Com Ronaldos, Madonna anima Brasil nostálgico: amanhã vai ser melhor? O retrato que Gilberto Gil encontra todos os dias após morte de Preta Gil PVC: 'A gente tem que redescobrir o futebol da América do Sul como cultura'