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Futebol Como falso áudio do VAR foi decisivo para gancho pesado a zagueiro do Inter Igor Siqueira Do UOL, no Rio de Janeiro 28/07/2026 16h28 Deixe seu comentário 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Não foi um dia comum no STJD. Os telefones começaram a pipocar durante a sessão da sexta comissão disciplinar, que julgava o zagueiro Victor Gabriel, do Internacional. Mensagens chegando, links, prints e uma interrogação: Seria falso o áudio juntado como prova pela defesa colorada? A resposta simples? Sim. E isso foi decisivo para o desfecho do julgamento. Adriana Negreiros Homoerotismo e a relação entre poder e Vorcaro A Hora Teto e piso se encontram para Flávio e Lula PVC Fla segue líder? Meus palpites sobre a rodada Rodrigo Ratier Importar megaprisão de Bukele é 'perigo', diz estudo Victor Gabriel foi condenado em primeira instância a ficar suspenso até que Gabriel Pec, do Cruzeiro, volte aos treinos. Apesar das lágrimas, pedidos de desculpas e do perdão do próprio Pec, o defensor colorado não poderá atuar até que o meia recém-chegado ao Cruzeiro se recupere da fratura na perna esquerda. Classificação e jogos Brasileirão O UOL acompanhou o julgamento in loco e toda a movimentação nos bastidores. Victor Gabriel seria condenado, de todo modo. Mas o saldo seria mais leve para ele — seis jogos de suspensão —, se não fosse o tumulto gerado pelo tal áudio falso. 0:00 / 0:00 Siga o UOL Esporte no Como isso mudou? O relator do processo, o auditor Rodrigo Bayer, já tinha feito sua sustentação do voto para não aplicar o que classificou como código de Hamurabi desportivo. Aquele "olho por olho, dente por dente". Continua após a publicidade Ou seja, adotou a pena máxima do caput do artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), mas sem aplicar o parágrafo terceiro. É justamente esse o dispositivo que diz: "Na hipótese de o atingido permanecer impossibilitado de praticar a modalidade em consequência de jogada violenta grave, o infrator poderá continuar suspenso até que o atingido esteja apto a retornar ao treinamento, respeitado o prazo máximo de 180 dias". Bayer não convenceu dois auditores que votaram em seguida, Eduardo Ramos e o presidente Jorge Lavocat Galvão. Quando o quarto e último voto iria ser proferido, a auditora Aline Jatahy indagou o advogado do Internacional: Eu queria só fazer um questionamento para o advogado da tribuna (...) Porque quando o doutor Rodrigo Bayer fundamentou seu voto, ele utilizou a transcrição do áudio do VAR. Infelizmente, como a gente vive no mundo online, estão circulando notícias que esse áudio não é verídico e eu gostaria de confirmar a fonte real de onde foi extraído esse áudio. Se foi de um site, se foi fornecido pela própria organização do jogo, pela CBF, se seria possível vocês afirmarem com convicção que esse áudio é verídico. O incômodo era nítido. Continua após a publicidade Antes, quando o Inter passou o áudio falso do VAR na sessão, houve um certo estranhamento silencioso com o tipo de linguagem e os termos adotados pelos personagens da gravação. Em nada se parecia com o protocolo de comunicação adotado pelos árbitros de vídeo. Entre esse momento e a pergunta da auditora, a movimentação nas redes sociais já tinha começado. Quem circula pelas redes já tinha reconhecido o conteúdo. Uma página de paródia intitulada "O VAR Brasileiro" tinha feito aquela simulação irreal. O conteúdo foi postado há quatro dias. A CBF, por sua vez, não fez qualquer divulgação de áudios do VAR envolvendo a partida. Membros do alto escalão do STJD chegaram a receber prints de postagens no X. O assunto apareceu nos celulares dos auditores da comissão. Entre eles, o aparelho de Aline Gonçalves. Ao ser confrontado, o advogado do Inter, Rogério Pastl, não foi para o embate. O celular dele também já estava movimentado. Um colega advogado que estava no auditório o alertou também do que estava acontecendo. "Obviamente que a gente junta como sendo verídico, mas eu teria que checar essa informação agora. Mas de qualquer forma, por lealdade processual, já que o seu voto vai ser definitivo em relação a esse assunto, a senhora não considere essa prova ou suspenda o julgamento, até que a gente possa trazer essa informação. A informação do pessoal que colheu essa prova dentro do escritório é que seria, sim, o áudio do VAR, mas eu não tenho como lhe dar a fonte agora, nesse momento, a não ser que eu pare aqui e vá ver a origem desses áudios", disse Pastl, de início. Continua após a publicidade Os auditores chegaram a debater se seria melhor adiar o julgamento e esperar uma manifestação formal da CBF. Mas o consenso foi continuar com o caso na pauta. E aí ficou explícito o efeito negativo para Victor Gabriel que a confusão gerou. "Confesso até que estava inclinada a acompanhar o doutor Rodrigo (Bayer), considerando que eu fiz uma rápida pesquisa aqui e vi que o senhor (Victor)Gabriel teve sua primeira expulsão como profissional. Isso mostra que não é um jogador violento", disse Aline Jatahy. O voto da auditora era o decisivo. O placar estava 2 a 1 para a punição mais pesada. Como ela concordaria com o relator, o placar ficaria em 2 a 2. Nesses casos de empate, o que prevalece é a punição mais leve. Ou seja, seriam aplicados os seis jogos de gancho, "apenas". Continua após a publicidade "Mas diante de todas as argumentações e desse fato novo... cada um tem seu juízo de valor, já pediu para excluir, mas cada um tem sua interpretação e autonomia para julgar como bem entende. Vou acompanhar no sentido da aplicação do parágrafo terceiro", sentenciou a auditora. O placar de 3 a 1 fez, então, com que Victor Gabriel fosse condenado em primeira instância com a punição mais dura. O jogador já tinha se emocionado durante o depoimento e manteve o semblante fechado enquanto ouvia o desenrolar do caso. Proclamado o resultado do julgamento, o Internacional agora pode recorrer para levar o caso ao Pleno do STJD. Antes, o advogado Rogério Pastl fez outra manifestação da tribuna: Eventualmente pode ter acontecido alguma inadvertência, alguma falta de checagem. Mas em nenhum momento houve algum dolo ou má-fé por parte do Internacional ou da defesa. Vamos tentar esclarecer isso no período que se segue da mesma maneira como sempre atuamos aqui nesse tribunal. Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. 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