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Futebol De fome e abandono na Ásia a rival do Brasil na Copa: a história de Adé Bruno Braz Do UOL, no Rio de Janeiro 19/06/2026 05h30 Deixe seu comentário Resumo Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Zagueiro Ricardo Adé, do Haiti, foi enganado por empresário e viveu em situação de rua na Tailândia Imagem: Instagram / @adericardo4 Entre tantas histórias de superação desta Copa do Mundo, certamente a de Ricardo Adé é uma das principais. Adversário da seleção brasileira hoje, às 21h30 (horário de Brasília), na Filadélfia (EUA), pela segunda rodada do Grupo C, o zagueiro do Haiti precisou superar o golpe de um falso empresário que o levou ao abandono, à fome e às ruas da Tailândia antes de ser firmar na carreira. Sobreviveu com pão e leite condensado Quando ainda dava os primeiros passos na carreira no Haiti, Adé foi seduzido por um suposto empresário com a promessa de levá-lo ao futebol tailandês. Aos 23 anos e vislumbrando um futuro melhor fora do Haiti, o zagueiro juntou o que tinha de economia para pagar a taxa exigida pelo agente. Porém, quando enfim chegou no aeroporto de Bangcoc, o que era um sonho transformou-se num grande pesadelo. Juca Kfouri A triste goleada do Canadá sobre o Qatar Narrativas em Disputa Caso Master vira munição contra Lula nas redes Josias de Souza Wagner enfia espinho do Master no pé de Lula Mauro Cezar O que fará o Haiti frente ao Brasil? Além da fome, Ricardo Adé enfrentou o racismo na Tailândia Imagem: Instagram / @adericardo4 O empresário simplesmente sumiu e Ricardo Adé ficou sem clube e sem dinheiro. Completamente desnorteado num país com cultura e tradições totalmente diferentes, se viu em situação extrema. Por dias tinha apenas pão e leite condensado para se alimentar. Adé viveu em situação de rua, pedindo dinheiro às pessoas. Além da fome, teve de enfrentar o preconceito. Assista aos jogos da Copa ao vivo no SBT pelo UOL Play. Assine agora a partir de R$ 14,90/mês Eu fiquei três meses na Tailândia e passei por coisas terríveis. As pessoas passavam por mim e tapavam o nariz. Coisas racistas Ricardo Adé, ao site equatoriano ' Primicias ' Carreira só começou a decolar aos 27 anos Depois de todo o sofrimento na Tailândia, Ricardo Adé conseguiu um clube praticamente amador dos Estados Unidos, o Miami United. O zagueiro ficou um ano por lá, mas teve problemas de visto e precisou retornar ao Haiti, onde jogou pelo Don Bosco. Ali, ele passou a ser convocado para a seleção. Continua após a publicidade Relacionadas Neymar volta a campo, mas nem viaja para jogo da seleção diante do Haiti Contra Haiti, Brasil volta a usar meiões pretos na Copa após 92 anos Haitiano que encara Brasil pede abertura do país para crianças sonharem Ricardo Adé pelo Santiago Morning, da Terceira Divisão do Chile: seu primeiro clube profissional já aos 27 anos Imagem: Instagram / @adericardo4 E foi juntando vídeos de sua passagem pelos EUA com os jogos por seus país que um agente o descobriu e decidiu enviar as imagens ao Santiago Morning, da Terceira Divisão do Chile, que buscava um zagueiro. Os chilenos gostaram e o contrataram. Em seguida, defendeu o Magallanes — também do Chile, só que da Segunda Divisão — e se destacou, a ponto de chamar a atenção do Mushuc Runa, do Equador, período onde as coisas, enfim, começaram a clarear. As boas atuações o levaram ao Aucas, onde sagrou-se campeão equatoriano de 2022. Ali sua carreira decolou e ele foi para a LDU, principal equipe do país. Está lá há três anos e é ídolo, tendo sido campeão da Sul-Americana, em 2023; bicampeão equatoriano, em 2023 e 2024; e campeão da Supertaça do Equador, em 2025. Tiago Nunes sobre carreira de Adé antes da LDU: 'Praticamente jogando de graça' Atual técnico de Ricardo Adé na LDU, o brasileiro Tiago Nunes lembra ao UOL que antes de chegar ao futebol equatoriano, o zagueiro recebia salários apenas para sobreviver. Continua após a publicidade Técnico da LDU, brasileiro Tiago Nunes abraça zagueiro haitiano Ricardo Adé Imagem: Conmebol Ricardo é um vencedor na vida, né? Ele saiu do Haiti para buscar seu sonho e, se acompanhar a trajetória dele, o primeiro clube profissional mesmo que ele joga é no Chile. Ele fica dois anos praticamente jogando de graça (no Santiago Morning), joga mais dois anos no Magallanes, até que recebe uma proposta para ir ao Mushuc Runa. Nesse período todo, ele sempre ganhou salários muito baixos, quase que empatando para sobreviver Então, se você fizer as contas, é um jogador que teve seu primeiro contato profissional mesmo com 27 anos. Ele fez testes em muitos lugares, foi enganado, e de onde veio e onde chegou, a capacidade que tem de se manter em alto nível, mostra um pouco da resiliência e da história de vida dele. Por isso tudo, é um exemplo, sim, a ser seguido. É motivo de inspiração e, a partir disso, também tem uma história de vida que prova que quando a competência se junta ao talento, à resiliência, você pode alcançar seus sonhos Tiago Nunes, técnico da LDU, ao UOL Tiago Nunes: 'Dificilmente veremos o Ricardo num dia de baixo astral' Ricardo Adé é muito querido pelos companheiros de LDU e técnico Tiago Nunes diz que haitiano tem astral contagiante Imagem: Instagram / @adericardo4 Tiago Nunes considera que Ricardo Adé uma pessoa cativante, que está sempre de alto astral, mesmo com todos os obstáculos enfrentados ao longo da vida. Continua após a publicidade Ricardo é um cara muito alegre. É um cara que chega pela manhã cumprimentando todo mundo, gritando, celebrando a vida. É um cara de um alto astral tremendo, um cara positivo, que se dá bem com todos, transita em todos os pequenos grupos que existem dentro de um clube de futebol. É muito querido. É um líder, um jogador alto astral que faz dele um cara especial. Dificilmente veremos o Ricardo num dia de baixo astral, num dia negativo. É um cara que, por tudo que passou, acaba sendo uma referência também nesse sentido de inspiração para todos Tiago Nunes, ao UOL Tiago Nunes: 'Duelo aéreo dele é top mundial' Ricardo Adé atuando pela LDU: técnico Tiago Nunes o considerado um "top mundial" no duelo aéreo Imagem: Luis ROBAYO / AFP Há pouco mais de um ano no comando da LDU, Tiago Nunes tem uma boa leitura de Ricardo Adé como jogador e o coloca como homem de confiança. Em termos técnicos, o treinador considera que o haitiano possui valências defensivas que o colocam como um "top mundial". É um defensor de muita força física, de duelos um para um. O duelo aéreo dele com a bola frontal, provavelmente, é top mundial. É um jogador que tem essa capacidade e leitura do espaço a ser ocupado nas coberturas. Conosco joga numa posição de líbero, de jogador da sobra, então tem uma interpretação refinada para fazer uso da tomada de decisão na circulação de bola. É um jogador que tem um passe bom, curto, tem muita personalidade para tentar jogar pressionado e, de forma geral, é um jogador que se adapta bem aos contextos que se tem Tiago Nunes, ao UOL Adé: 'Uma das coisas que te faz ser haitiano é saber que a vida inteira é uma luta' Ricardo Adé postou uma foto de sua infância jogando bola no Haiti: ele está de blusa azul Imagem: Instagram / @adericardo4 Continua após a publicidade Ricardo Adé usa a história geral de superação do povo haitiano como inspiração e exemplo de força nos momentos mais difíceis que enfrentou na carreira e na vida. Uma das coisas que te faz ser haitiano é saber que a vida inteira é uma luta. As coisas nunca foram fáceis. É ter esperança de que elas vão mudar e ir lutar Ricardo Adé, ao site oficial da Fifa Num grupo com Brasil, Marrocos e Escócia, Ricardo Adé sabe que a missão não será fácil na Copa do Mundo, mas não se intimida: A vida do meu povo é assim. O Haiti sempre teve que lutar, não será diferente na Copa Ricardo Adé, ao site oficial da Fifa Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash As mais lidas agora Mattos: 'Endrick volta muito para buscar jogo e Ancelotti não quer isso' Gabriel Sá: 'Raphinha precisa de um choque de realidade e ir para o banco' Técnico do Haiti comemora Neymar fora: 'Já venci o Brasil sem ele' Fratura de Koné entra para a lista de lesões chocantes em Copas: relembre México aproveita lambança da Coreia, vence e é 1ª seleção a se classificar