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Análise dos Times

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Só para assinantes Assine UOL Opinião Por uma Secretaria Especial do Futebol, ligada à Presidência da República Juca Kfouri Colunista do UOL 15/07/2026 10h33 Deixe seu comentário Resumo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× POR RODRIGO R. MONTEIRO DE CASTRO e JOÃO RAFAEL SOARES** A proposição não tem nada a ver com o momento da Copa do Mundo. Mas, ao mesmo tempo, tem tudo a ver. Nenhuma atividade ou manifestação humana tem o poder de conectar e parar o planeta, como o futebol. O fenômeno futebolístico supera barreiras econômicas, sociais, políticas, ideológicas e religiosas. Talvez seja o elo de conexão das gentes. José Fucs O 'choque de gestão' proposto a Flávio Bolsonaro Sakamoto Senado ignora apelo pelo fim da 6x1 e vai descansar Marco Antonio Sabino Há sindicatos que envergonham os sindicatos Tony Marlon Rio acerta com proibição de anúncio de bets O Brasil, nesse cenário, tem tudo para transformar o futebol em uma de suas principais vias de desenvolvimento econômico e social. Mais: para transformá-lo também no principal instrumento de soft power, para influenciar o planeta, como os norte-americanos fizeram com Hollywood e os sul-coreanos com o K-Pop. Deveria ser um setor estratégico, portanto. A missão, ao contrário da empregada pelos dois países citados, revela-se mais fácil (ou menos impossível). Apenas no Brasil, sete em cada dez brasileiros costumam acompanhar, com maior ou menor intensidade, o esporte, o que se aproxima de 155 milhões de pessoas. No planeta, estima-se que 5 bilhões o seguem. A conexão já está pronta. O mercado está à espera e demanda os produtos que podem ser gerados no e pelo Brasil. E nessa rede planetária, bilionária em termos de pessoas ou de fluxos financeiros, a importância do Brasil e dos seus times aproxima-se, paradoxalmente, da insignificância. Sim; pois, ao contrário do que outros países empreenderam, com os seus campeonatos - ou ligas - a invadir aparelhos espalhados por todos os continentes e a consequente afirmação de seus times, que se tornaram espécies de embaixadas, o produto do Brasil atrai pouca - ou quase nenhuma - atenção. Além disso, o País optou, até aqui, pela posição terceiro-mundista exportadora de jogadores. Exportar, aliás, não é, em si, um problema. Revelam-se problemáticas, no caso, as motivações dela: ou seja, a incapacidade clubística de manter orçamentos competitivos e superavitários e a necessidade de negociar jovens recém-saídos da adolescência e despreparados, para, com o produto da negociação, pagar dívidas ou empregá-lo nas demandas emergenciais cotidianas. Continua após a publicidade A exportação deve ser estimulada como um dos elementos de afirmação da força brasileira, sobre a qual, por envolver pessoas, se deverá manter um acompanhamento dos fluxos e de situações específicas e gerais, com base em uma política pública elaborada para fortalecer e desenvolver a "indústria". No plano organizacional, os times brasileiros - cada um preocupado, em regra, com os seus próprios problemas -, não foram capazes de se unir para a formação de uma liga, espelhada nas principais ligas europeias, como a Premier League, e, assim, constituir um ambiente pujante, competitivo, gerador de riquezas e disponível ao público consumidor local e internacional, este representado pela (nada mais, nada menos) quase totalidade dos países existentes. Não há exagero na proposição: a FIFA conta com 211 associados, enquanto a ONU aponta "apenas" 193. No plano comercial, apesar dos avanços proporcionados pela Lei do Mandante (Lei nº 14.205/2021) e das negociações coletivas realizadas por dois blocos de clubes, autodenominados impropriamente ligas - a Futebol Forte União (FFU) e a Liga do Futebol Brasileiro (LIBRA) -, que reportaram negociações recordes para o atual ciclo, o País ainda está longe de atingir a sua potencialidade, no plano interno, e ainda engatinha, para se posicionar no plano externo. Um ambiente favorável atrairá interessados e investidores, locais e internacionais, para financiar a expansão do mercado do futebol. O Brasil viu, ademais, desde o advento da Lei da SAF, em 2021, o surgimento de financiadores e interessados em apoiar clubes de futebol, que passaram do modelo associativo ao empresarial. Levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos e Desenvolvimento da Sociedade Anônima do Futebol - IBESAF, realizado em 17 de dezembro de 2025, apontou a existência, em menos de cinco anos, de 127 SAFs. Outro estudo, que será divulgado em breve, indicará um aumento para 140 SAF´s. Além delas, ao menos uma dezena está em processo de negociação e estruturação. Apesar da relevância numérica, ainda não se atraiu para o País o grupo dos investidores mais influentes em esporte e futebol - com raras exceções, como Grupo City e o Red Bull -, pela falta de previsibilidade do ambiente e da insegurança causada por interferências estatais, de natureza judicial ou legislativa, que subverteram a lógica e o conteúdo da Lei da SAF ou a modificaram para impor maior custo tributário. Continua após a publicidade Ademais, as relações entretidas entre atletas e comissões técnicas e os respectivos clubes ou SAFs não têm a mesma lógica do que as relações estabelecidas entre empregados ou executivos (por mais graduados que sejam) e empresas, nos setores convencionais da economia. Uma reflexão sobre a melhor forma de enquadramento pode influenciar e incentivar a amplificação do ambiente, em benefício de todos. E não se estaciona por aí: o esporte, sobretudo o futebol, pode cumprir função integradora da economia, com estímulos ao mercado financeiro e de capitais, ao turismo local e internacional, aos serviços especializados (tais como medicina, contabilidade, advocacia, psicologia e outros) e à indústria que o atende, inclusive de hotelaria, alimentação e bebidas, e construção. Mais: o futebol ainda pode contribuir para a ampliação e melhoria da educação, e consequente inserção social de classes economicamente desfavorecidas. Iniciativas como o Programa de Desenvolvimento Educacional e Social - PDE, instituído pela Lei da SAF, que consiste na celebração de convênio obrigatório entre SAFs e escolas públicas, para promoção da educação pelo futebol e do futebol pela educação, se organizadas e inseridas em uma inequívoca política de Estado, terão força transformacional. Aí está, enfim, o problema: jamais se formulou uma política de Estado para o futebol, com o propósito de pensá-lo não apenas como uma atividade esportiva ou de entretenimento, apesar de o futebol unir as extremidades - norte e sul, leste e oeste. Nenhum governo, independentemente da corrente política, entendeu a magnitude do futebol e a perspectiva que a sua organização pode trazer ao País. Nenhum Governante entendeu - ou, se entendeu, externalizou, inclusive em Plano de Governo -, a intenção de transformar o futebol em fonte de desenvolvimento, de inserção e de geração de riqueza. Movimentos isolados ocorreram, é verdade. A Lei do Mandante e a Lei da SAF são dois exemplos. O Parecer de Orientação n. 41/2023, publicado pela CVM, também. Continua após a publicidade Porém, leis esparsas, por mais benfazejas que sejam - ou foram - e atos regulatórios, por mais desejáveis que também sejam, cumprem funções delimitadas, sobretudo num país de tamanho continental, complexo em seu plano político e tão desigual como o Brasil, se não forem inseridos em um projeto maior. Mesmo a atuação de entidades reguladoras (ou autorreguladoras), como a CBF, e, no futuro, uma eventual liga nacional, jamais terão a abrangência, os instrumentos e o poder para impor ações e condutas em outros setores, integrados ao futebol e ao seu desenvolvimento. Somente o Estado, a partir de uma estrutura arquitetada para prover o arcabouço necessário à construção de uma indústria de magnitude global, com recursos e mandato para unificar áreas (ministérios) e pessoas em torno de um projeto comum, poderá realizar o projeto que países desenvolvidos fizeram com outras atividades - e que fariam com o futebol, se tivessem os elementos para realizá-lo. Não se trata, pois, de intervenção ou de ingerência do Estado em atividade econômica-esportiva. Ao contrário: trata-se de atuação legítima dentro de suas competências constitucionais para formular e propor o arcabouço legal e regulatório que formará uma potência - a maior das potências. No Brasil, a incumbência deveria ser atribuída a uma Secretaria Especial do Futebol, vinculada à Presidência da República, que acompanharia e coordenaria a integração das políticas setoriais no âmbito do Poder Executivo, colaboraria para a articulação com os demais Poderes e cobraria os resultados almejados, em benefício do País e do seu povo. * Rodrigo R. Monteiro de Castro é advogado e Doutor em Direito Comercial pela PUC, Coidealizador da Lei da SAF, Presidente do IBESAF. Continua após a publicidade **João Rafael Soares é advogado e MBA em Gestão no Esporte. [1] Advogado, Doutor em Direito Comercial pela PUC, Coidealizador da Lei da SAF, Presidente do IBESAF. [2] Advogado, MBA em Gestão no Esporte. Opinião Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL Comunicar erro Deixe seu comentário Veja também Publicidade Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL. UOL Flash Acesse o UOL Flash Receba novos posts de Juca Kfouri por email Informe seu email Quero receber As mais lidas agora Pode usar psyllium todos os dias? Saiba como tomar, benefícios e riscos Agricultor cava canal sozinho por 30 anos e transforma vilarejo na Índia EUA atacam ilha estratégica do Irã próxima ao Estreito de Hormuz Brasileira é morta em ataque a facadas na Bélgica; companheira ficou ferida Preciso guardar shoyu, ketchup e manteiga na geladeira?