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O mundo do tênis está passando por uma grande transformação, e muitos tenistas estão descontentes com isso.
137 duplistas em atividade, 33 lendas do esporte e 20 confederações nacionais de todo o mundo se uniram para criticar uma das propostas da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) para o circuito de duplas.
O presidente da entidade que rege o tênis masculino, Andrea Gaundezi, emitiu um comunicado na semana passada apresentando alguns planos para melhorar o circuito a partir de 2028, incluindo uma reformulação no formato das duplas, com o intuito de "aprimorar a sustentabilidade e o papel das duplas no circuito".
Mesmo sem dar detalhes no comunicado, o chefão da ATP diz que toda a premiação realocada das duplas seria dedicada à compensação de jogadores, principalmente na premiação do qualificatório e também nas rodadas iniciais de simples dos torneios ATP.
De acordo com os bastidores e tenistas em atividade no circuito, a ATP espera reduzir pela metade oo tamanho das chaves de duplas, por exemplo, com os ATP 500 que contam com 16 duplas passando para apenas 8 e também em uma redução financeira.
Atualmente, os torneios seguem um modelo que dedica 80% da premiação total do evento para a chave de simples e 20% para a de duplas. Alguns jogadores estimam que a entidade quer reduzir essa proporção para apenas 10%.
Nesta segunda-feira (26), os duplistas voltaram a se manifestar contra essa proposta e de uma forma mais organizada, reunindo ex-tenistas e entidades nacionais do esporte.
Os brasileiros Bruno Oliveira, Fernando Romboli, Marcelo Demoliner, Marcelo Melo, Marcelo Zormann e Orlando Luz assinaram o manifesto, além da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), na figura do seu presidente Alexandre Faria.
Romboli, Demoliner, Matos, Melo e Luz, que assinaram a carta e publicaram o documento em suas redes sociais, estão entre os 100 melhores tenistas do ranking mundial de duplas da ATP.
No documento, "Ponto Decisivo", eles afirmam que o tênis é mais do que apenas um negócio e que o esporte deve se apoiar em valores que devem abrir portas e não fechá-las. Os duplistas pedem à entidade mais respeito com a história da modalidade e mais diálogo, salientando que essa redução pode acabar com a carreira de diversos especialistas em duplas.
"Caros membros da diretoria e da gestão da ATP,
A ATP existe para servir todos os tenistas profissionais. O tênis é mais do que um negócio. É um legado mundial construído sobre alegria, saúde e respeito esportivo. Um legado como esse precisa abrir portas, não fechá-las.
Nós, que assinamos este documento em conjunto com ex-tenistas profissionais e confederações nacionais de tênis, estamos muito preocupados com os planos da ATP de reduzir drasticamente o tamanho das chaves de duplas no circuito.
Nós defendemos o progresso. Também entendemos que o esporte precisa crescer, que os torneios devem se fortalecer e ampliar seu valor comercial. Ainda assim, as reformas propostas estão indo além do aceitável.
Os planos atuais devem deslocar cerca de 20 milhões de dólares em premiações das duplas para a simples e, ao mesmo tempo, reduzir significativamente as oportunidades profissionais para especialistas em duplas. Essa mudança tornaria muito mais difícil para jogadores talentosos construir e sustentar uma carreira exclusivamente nessa modalidade.
Um esporte profissional saudável não pode depender apenas de um pequeno grupo de estrelas. Ele precisa oferecer caminhos para o desenvolvimento, a competição e a garantia de um meio de vida para seus atletas.
As duplas também representam o formato mais praticado no tênis. Em clubes de todo o mundo, milhões de pessoas têm seu primeiro contato com o esporte por meio das duplas, ao lado de amigos, familiares, companheiros de equipe e integrantes de suas comunidades. É a porta de entrada mais acessível para o tênis: social, inclusiva e central para a cultura do esporte. Reduzir o número de duplistas profissionais transmite uma mensagem equivocada para essas mesmas pessoas que mantêm o tênis vivo.
A ATP precisa encontrar um equilíbrio melhor entre seus interesses comerciais e sua responsabilidade para com todos os tenistas profissionais e com o legado do esporte.
As duplas são uma parte vital da história e da identidade do tênis. Os fãs gostam de assistir às melhores equipes competindo, os meios de comunicação valorizam essa dinâmica e os patrocinadores reconhecem seu alcance. Trata-se de uma parte única e querida do nosso esporte, que merece mais visibilidade, e não menos.
Também acreditamos que o futuro das duplas deve ser construído em colaboração entre tenistas, confederações nacionais e organizadores de torneios, todos reunidos à mesma mesa. As propostas atuais não demonstraram contar com o amplo apoio necessário que mudanças dessa magnitude exigem. Implementar uma transformação nessa escala sem esse respaldo pode comprometer a confiança na liderança da ATP em toda a comunidade do tênis.
Em vez de cortes drásticos, pedimos que a ATP proteja as chaves de duplas e a viabilidade das oportunidades profissionais dessa carreira, ao mesmo tempo em que desenvolve planos de longo prazo para promover a modalidade e torná-la mais atrativa para fãs, meios de comunicação e patrocinadores.
Nós não somos contra reformas. Pelo contrário, queremos ajudar a construí-las. Qualquer mudança deve fortalecer o esporte como um todo, e não enfraquecer uma de suas partes essenciais. É por isso que pedimos à diretoria e à gestão da ATP que reconsiderem as reduções propostas e trabalhem conosco por um futuro melhor para os duplistas profissionais.
O sucesso comercial é importante, mas também o são a justiça, o bem-estar e a saúde de longo prazo do tênis. Vamos fazer o esporte crescer juntos, sem deixar os duplistas para trás.
Atenciosamente,
Todos os signatários desta carta aberta (137 tenistas em atividade, 33 ex-tenistas e 20 confederações nacionais)."